O que é um canhão NLOS? O ano é 2012 e você é um soldado em guerra contra os Estados Unidos (em inglês). A caravana de tanques de guerra à qual você pertence pára de repente. Um avião operado remotamente aparece no horizonte e voa em direção à caravana. Você e os outros membros de seu pelotão recebem a ordem de destruir o avião de reconhecimento.
Depois que você mira e atira – atingindo e destruindo o alvo – você ouve uma pequena explosão bem acima de você. Você olha e vê um monte de pequenos pára-quedas que carregam o que parecem ser botes que navegam até a caravana. Apesar do sentido contrário do vento, você percebe que eles estão indo em direção aos veículos.
Você ouve um de seus companheiros gritar "bomba!" e, em seguida, uma sucessão rápida de explosões faz seu corpo tremer. Sua visão fica embaçada e você ouve um zumbido bem agudo. Olha a sua volta enquanto a poeira abaixa, mas não vê nada além de pequenos incêndios no lugar dos tanques de guerra. Troca olhares horrorizados com os outros membros de seu pelotão e percebem que é hora de sair dali. Você começa a correr e, de repente, vê uma luz muito forte que toma conta de tudo. E depois não vê mais nada.
A pouco mais de trinta quilômetros dali, alguém confirma que a missão foi um sucesso.
Seja bem-vindo ao futuro do combate do exército americano. No centro desse futuro, está o que destruiu você e sua caravana – o canhão NLOS (“fora da linha de visão”). Capaz de efetuar diversos disparos em poucos segundos – aparentemente do nada – o NLOS-C pode destruir o inimigo em movimento, com rapidez, precisão e sem causar muitos “danos colaterais”.

O que o NLOS-C tem de tão extraordinário?
Pode parecer surpreendente, mas, de acordo com os observadores de defesa, os Estados Unidos não são os primeiros em tecnologia de armamento [fonte: Global Security (em inglês)]. Em combates atuais e passados, os disparos efetuados pelo exército dos Estados Unidos não conseguiram atingir todos os alvos e causaram muitos danos colaterais (como a morte de civis).
Esse fato não causa tanta surpresa quando se descobre que, em pleno século 21, os americanos ainda usam tanques tripuláveis projetados nos anos 50 e 60. É certo que algumas atualizações periódicas foram sendo feitas à medida que surgiam novas tecnologias, mas essas modernizações apenas acrescentaram pequenos novos elementos aos velhos componentes. O exército espera começar a usar o NLOS-C a partir de 2010 [fonte: Field Artillery (em inglês)]. Ele representará a primeira grande modernização da tecnologia de artilharia móvel
em décadas.
A expressão “no-line-of-sight”(fora da linha de visão) se refere à capacidade do canhão de atingir seus alvos com precisão em distâncias surpreendentes e apesar dos obstáculos existentes. As armas “line-of-sight” (linha de visão) requerem uma proximidade razoável ao alvo, enquanto as armas “beyond-line-of-sight” (além da linha de visão) não precisam estar tão perto. Já as armas “fora-da-linha-de-visão” podem atingir o alvo, com precisão, a uma distância de 30 quilômetros [fonte: Global Security (em inglês)]. O canhão que está sendo desenvolvido pela BAE Systems para o exército americano usa um howitzer, calibre 38, e permite uma ampla gama de missões.
Um grupo, denominado sub-munição inteligente, é o tipo de bomba cluster descrita na página anterior. Um único cartucho tem diversos projéteis que se separam no ar. Cada sub-munição é guiada até seu alvo final. Uma outra família, o XM982 Excalibur, é um projétil do tipo "fire-and-forget" (você só precisa efetuar o disparo, sem se preocupar em acompanhar sua trajetória). Ele é capaz de funcionar como uma bomba que atinge alvos em movimento. Ele parece com um míssil guiado, reconhecendo os alvos com base em características prescritas [fonte: Global Security]. A eficácia do disparo é confirmada por meio do uso do Sistema de Rastreamento de Projéteis "antes do projétil atingir seu alvo"
O NLOS-C será capaz de efetuar esses e outros disparos diferentes, usando diversos tipos de projéteis. Como o processo de disparo é automático, o canhão pode disparar com rapidez. O disparo automatizado também reduz para dois o número de soldados necessários para operar a artilharia móvel moderna. A chapa de blindagem do veículo tripulável é de alumínio e ele pesa de 22 a 42 toneladas menos que os tanques M1 Paladin ou Abrams – sem contar que é mais fácil transportá-lo até o campo de batalha, com a ajuda de aviões de carga. O novo canhão é mais silencioso e mais econômico. Tem um motor a diesel, mas os trilhos que movem o NLOS-C são pilotados por um drive elétrico híbrido.
Os observadores predizem que "o NLOS-C será o principal sistema de apoio indireto do FCS (sistema de combate do futuro) do exército dos EUA e reduzirá o número de vítimas, aumentando a eficácia de toda a força terrestre" [fonte: Global Security (em inglês)]. O NLOS-C representa a nova era da tecnologia de artilharia. Mas o canhão tripulável da BAE Systems é apenas uma parte – central, é verdade - de uma visão inteiramente nova da guerra do futuro.
Sistemas de combate do futuro
Michael Ignatieff, membro do Parlamento Canadense (em inglês), previu um tipo de guerra do futuro onde o campo de batalha seria controlado de longe por computadores e analistas. Ele disse que essa guerra virtual seria ainda mais difícil de conceitualizar e organizar - e a previsão de Ignatieff parece ter se tornado realidade, ao menos em parte, na visão de futuro do exército dos Estados Unidos [fonte: USNA]. O exército americano chama essa visão de Sistema de Combate do Futuro (FCS), do qual o canhão NLOS é uma parte essencial.
O Sistema de Combate do Futuro usará veículos autônomos como aviões operados remotamente, veículos pesados tripuláveis como o Crusher, e mísseis lançados remotamente. Veículos tripuláveis, como o NLOC-S e seus similares (morteiro fora-da-linha-de-visão), bem como os meios de transporte dos médicos ou tropas, também farão parte dele; além, é claro, dos próprios soldados. Mas o centro do FCS está na rede.
O FCS do exército estará baseado na integração e na conexão com o campo de batalha, da mesma forma como as antigas batalhas se baseavam na inteligência humana, nos rádios e nos mapas. A “cola” de alta tecnologia que conecta o FCS é a LandWarNet, "uma combinação de serviços que leva as transmissões de dados, voz e vídeo até as formações táticas" [fonte: Dept. of the Army]. A visão do exército sobre o futuro da guerra é uma força terrestre extremamente conectada, que recebe e envia informações, em tempo real, sobre as condições climáticas no fronte, a movimentação da tropa inimiga e a localização dos atiradores de elite, entre outras coisas.
A idéia por trás deste novo conceito de guerra é poupar os civis, americanos e locais. Para isso, a informação é de máxima importância. Os operadores remotos dos veículos estarão diretamente conectados aos soldados no campo de batalha, alertando-os das ameaças. Os soldados estarão conectados aos equipamentos como o NLOS-C, permitindo que os canhões mirem os alvos enfrentados pelas tropas terrestres. Os MGVs (veículos terrestres autônomos) também receberão informações dos aviões operados remotamente, permitindo que os canhões disparem diretamente contra os obstáculos que as tropas terrestres encontrarão no caminho.
Já faz um tempo que o Exército introduziu essas grandes mudanças em sua infra-estrutura – mais precisamente, desde os anos 70. O "desenvolvimento, pelo exército, da doutrina da AirLand Battle (batalha aeroterrestre) durante esse período resultou no tanque M1 Abrams, no Bradley Fighting Vehicle, no helicóptero Apache AH-64ª, no helicóptero Black Hawk UH-60A e no míssil Patriot", diz Rob Colenso, diretor de operações online do Army Times Publishing. Ele explica que "esses equipamentos conhecidos como os “Cinco Grandes” começaram a chegar às unidades do exército nos anos 80 e continuam sendo fundamentais nos dias de hoje". É claro que eles já não serão tão importantes quando o FCS for implementado.
Esse tipo de mudança, entretanto, não é barata. Em 2004, o custo da atualização do FCS era de, aproximadamente, US$ 117 bilhões [fonte: Defense Tech].
Mas um poder de fogo maior é apenas um passo para a paz. Para conseguir reduzir o número de vidas perdidas em ambos os lados do conflito, a diplomacia deverá acompanhar o ritmo do exército.
Fonte: http://ciencia.hsw.uol.com.br/canhao-nlos2.htm

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